domingo, outubro 15, 2006

Vitória esforçada contra equipa fraca CHARNECA -3 VINHENSE - 2

Foi um jogo muito estranho este, contra o Vinhense. Aparentemente tudo corria bem nos primeiros 20 minutos, o Charneca trocava bem a bola, chegava à área adversária com perigo, mas nada mais acontecia.
O Vinhense, com um guarda-redes encontrado à pressa (o guarda-redes não estava em condições de jogar) que por acaso até é avançado... Dizia eu, o Vinhense fazia tudo para despachar a bola da sua metade do terreno. Mas não estava fácil.
O Charneca pressionava, pressionava... mas nada.
E depois, acontece aquilo que dá brilho ao futebol, a imprevisibilidade: Em duas jogadas de contra-ataque o Vinhense faz dois golos. Pelo meio o Bryan, que tem um pézinho como ninguém, mete a bola por cima do guarda-redes.
Mas esses dois golos do Vinhense (os únicos golos que o Vinhense marcou em 3 jogos...) acontecem porquê? Primeiro, por falhas de marcação, depois porque há um erro táctico nesta equipa do Charneca: O Luís, que está a melhorar a sua performance de jogo para jogo, que dá o litro, ninguém o discute, que sabe posicionar-se no terreno, também é verdade... mas é, na verdade, o jogador mais lento, porque mais pesado, de toda a equipa! E é esse jogador pesado e lento que ocupa o lugar fundamental no centro da defesa? Para ir a correr atrás dos avançados, por norma os jogadores mais rápidos das equipas? Algo está mal aqui!

O Luís tem de estar um pouco mais à frente, não pode ser o último jogador da equipa... porque simplesmente é comido com a maior das facilidades. Foi isso que aconteceu ontem!
Sem prejuízo de poder dizer, com toda a certeza, que o Luís está cada vez melhor. Mais rápido a marcar o adversário, a antecipar-se, a colocar a bola na frente com mais espírito construtivo. Agora, não peçam é ao rapaz que corra atrás do miúdo mais rápido da equipa adversária... não é ele a pessoa certa para o fazer. Será sempre comido, e sem culpa sua. Ele tem a velocidade que tem, não vai poder transcender-se de um dia para o outro. A equipa técnica é que está a queimá-lo ao colocá-lo num lugar que ele manifestamente não pode ocupar.

Passando a outros sectores. O Fábio Galo está uma máquina. De dia para dia melhor. Infelizmente, vai acabar por acontecer o inevitável. Está a sobressair, e a dada altura um clube melhor vem buscá-lo, ou ele mesmo vai procurar outro clube com melhores condições. Como aconteceu com o Gonçalo Nascimento, que no ano passado também se evidenciava...
O Fábio faz como ninguém a transição do meio-campo para o ataque. Com a bola jogável. Não é aqueles bicos para a frente como alguns fazem. Não! Ele coloca a bola na frente ou nas pontas para construir uma jogada de bola no chão...

O Filipe Martins, (canina) mantém a sua performance esforçada. É capas do melhor e do pior. Se num momento resolve duas ou três jogadas a cortar a bola no momento certo, a seguir já tenta uma finta num sítio onde isso é proibido, pois não tem ninguém atrás... Falta-lhe discernimento. Há sítios e momentos onde se pode tentar a finta, e outros que não. O Canina ainda não sabe distinguir isso.

O Guarda-redes, talvez por ter sido surpreendido com duas jogadas de ataque e dois golos, parecia muito nervoso. Bolas simples que já defendeu às dezenas, ontem resultaram em bolas perigosíssimas. Largava a bola.. parecia inseguro. Há dias assim. Não desanimes Adalberto. És um grande guarda-redes!

Diogo, a extremo-esquerdo, esteve bem, rápido e lutador, mas a faltar-lhe o sentido da baliza. Quando se passou o adversário, e entre nós e a baliza não há ninguém, não se pára a bola para fazer mais uma fintinha. Várias falhas típicas de jogador que ainda não tem o sentido do que deve ser um extremo: correr o corredor e meter as bolas na área ou entrar pela área e meter no penalty, para quem vier de trás... pegar na bola no bico da área e fazer fintinhas e acabar por meter a bola na entrada da área que stá extremamente povoada... claro que não vai dar em nada.

O Diogo, canhoto, que jogou ao lado do Luís no centro da Defesa, está cada vez melhor. Muito rápido, mais confiante nas bolas de cabeça. Diria que, a par do Fábio, esteve entre os melhores jogadores em campo.

O Bryan voltou à sua forma antiga. Já muitos não se lembram, mas Bryan era, juntamente com mais 2 ou 3 jogadores dos infantis que jogaram em final de época pelos iniciados, há 2 anos, o marcador de serviço. O rapaz às vezes perde a forma, torna-se lento, preguiçoso. Mas quando volta a ter garra é um grande jogador. Ontem voltámos a ver o Bryan no seu melhor. Aquele pé esquerdo a meter a bola onde quer, a fazer a finta no momento certo, a segurar a bola de tal forma que para lhe tirar só fazendo falta... Bryan esteve muito bem.

O Hugo Fonseca continua a ser o autor das assist~encias que fazem a diferença. O passe para o golo do empate (2 a 2) é magistral. A bola no sítio certo, prontinha para empurrar para a baliza. Marco cumpriu nesta jogada, apesar de ter falhado demasiadas bolas. Os cantos marcados pelo Hugo são sempre perigosos, os passes são bolas de classe. Falta-lhe às vezes garra para ganhar as bolas disputadas, mas esteve bem, cumprindo o lugar à direita. Muitas vezes tentou apoiar mais o meio campo, onde o Fábio está sempre sozinho, e deixou desguarnecido o corredor direito, mas nesse papel de médio que ajuda também a defender esteve bem.

O Marco é o tipo de jogador que nos deixa desconsolados. O rapaz, vê-se, dá o litro. Esforça-se imenso, corre que se farta. Mas que raio... raramente ganha as bolas. Quando se coloca uma bola para o espaço vazio, parece que demora dois segundos a pensar se deve correr ou não... quando a bola vem pelo ar, nunca acredita que a vai ganhar, e às vezes ganha... mas quando se apercebe disso já perdeu a oportunidade de ganhar espaço. O Marco é o caso típico do jogador que quando se sentir confiante vai marcar muitos, muitos golos... Acredita em ti Marco que nós também acreditamos.

O Nuno Anunciação tem estado bem. A sua estatura e capacidade física é logo um ponto de avanço em relação a toda a equipa. Sobre o Nuno, tenho dúvidas se é aquele o lugar dele. Está ali, à frente dos centrais... ajuda a defesa e ajuda o ataque. Mas será esse o seu lugar? Tem um belíssimo remate, forte, mas num livre directo tenho dúvidas se deve ser ele a marcar. Daqueles livres mesmo em cima do limite da área há, pelo menos, 3 jogadores com um pé certeiro que metem a bola no ângulo: São eles o Bryan, o Diogo (defesa) e o Hugo Fonseca. E, claro, o Fábio e o Luís também têm um bom remate.
Eu usaria o remate do Nuno para os livres mais de longe...

Outra questão: livres indirectos em que é preciso meter a bola na área. Normalmente, são sempre os mesmos que o fazem, o Luís ou o Nuno. Ambos têm muita força, mas é isso que queremos? Uma charutada para a área?

Ou será que queremos a bola na cabeça do jogador A, ou nos pés do jogador B? Ou no espaço vazio C? É que se queremos jogar futebol maduro, meter as bolas nos pés de quem tem capacidade de fazer o golo, não é o Nuno nem o Luís que o vão fazer. São os mesmos que referi atrás!

APRECIAÇÃO GLOBAL:

O Charneca jogou com uma equipa fraca e ganhou à rasquinha. É verdade que teve muito azar, foi incapaz de marcar golos tendo tipo muitas oportunidades. Teve alguns, poucos, momentos de bom futebol. Quase sempre quando as jogadas passam pelos pés do Fábio Galo, do Bryan ou do Hugo Fonseca. São jogadores que sabem jogar com a bola no chão. Que têm visão de meter a bola nos espaços vazios.
Defensivamente, cumpriu, exceptuando duas falhas graves no centro da defesa. O futebol é assim.!!!
O Ataque esteve perdulário.

PARABÉNS PELO RESULTADO!
CONTINUEM A PROCURAR MELHORAR. HÀ MUITO A FAZER!
SENDO JÀ ÓBVIO QUE O CHARNECA ESTE ANO TEM CONDIÇÕES PARA FICAR NA PRIMEIRA METADE DA TABELA!

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