Quem diria que o Charneca conseguiria este resultado? Alguém imaginava? O Barreirense que em 13 jogos perdera apenas dois pontos, num empate com o Almada? 15 dias depois de perder em casa, com o Almada por 3 a 0?
Bem, se o futebol fosse uma ciência pura ninguém apostaria no Charneca neste jogo difícil. Mas a verdade é que todos nós, nós que vamos ver jogo a jogo, treino a treino, sempre achámos que os jogos perdidos, quase todos eles (excepção para o jogo em Alfarim... esse sim, para esquecer..) poderiam ter sido ganhos. Contra o GDR Portugal... aquela primeira parte foi muito boa... contra o Costa... um erro crasso... contra o Almada, um azar tremendo... perdidas infantis...
Enfim, todos nós acreditávamos que o milagre era possível. bastava que, num dia em que as coisas corressem bem, em que as opções tácticas fossem as correctas, em que a sorte estivesse do nosso lado... podiamos ganhar! E GANHÁMOS!!! Parabéns miúdos, parabéns equipa técnica, parabéns amigos do Charneca que estiveram no Cassapo a apoiar os miúdos!
ANÁLISE DO JOGO
Um jogo emocionante desde o primeiro minuto, mas sem grande história.
O Treinador parece ter feito o trabalho de casa neste jogo e estudou o adversário.
Uma surpresa ao início: Fábio Galo no banco. Os pais perguntavam-se se o Fábio se teria aleijado num treino, ou se seria mais um castigo por mau comportamento.
Guarda-Redes: Adalberto
Def. Direito: Canina
Centrais Diogo e Nuno
Def. esquerdo Bryan
Trinco André Pinto
Médio centro Distribuidor André Marques
Médio esquerdo Agostinho
Médio Direito Fonseca
Avançados Marco e Cebola
Grande diferença. Faltava lá ao meio o pensador de jogo, Fábio Galo, mas em compensação o André Marques confere muita força no meio campo, capacidade de recuperação de bola, o Bryan a defesa esquerdo permitia uma defesa a partir para a frente com a bola no chão, o Fonseca a extremo direito garantia a certeza de bolas bem colocadas na área.
Afinal, a ausência de Fábio Galo parecia não causar grande mossa na equipa! Desconcertante... verificar que o melhor jogador da equipa de fora não era a desgraça da equipa.
pelo contrário, a equipa parecia forte, muito segura.
Até ao intervalo, algumas boas oportunidades para ambas as equipas.
O 0-0 parecia, ao intervalo, um resultado ajustado ao trabalho feito em campo.
Depois do intervalo, o Charneca a jogar com o factor surpresa: Fábio Galo entra e o Charneca torna-se logo muito mais ofensivo. Sai o Agostinho, o André Marques encosta um pouco à esquerda e a equipa torna-se fortíssima, a pressionar.
Há dias em que tudo corre mal, como vimos nos jogos contra o Costa e contra o Almada, mas também há dias em que tudo corre bem. Quando um jogador não conseguia marcar bem o adversário, havia sempre alguém à dobra a conseguir recuperar a bola. Foi fantástico. Diria que o Barreirense (essa equipa que ainda não tinha nenhuma derrota, lembremo-nos...) não criou nenhuma jogada de grande perigo, tirando um livre directo em que a bola passou rente ao poste.
O André Marques, que esteve, diria, no seu melhor jogo de sempre, por ter defendido de uma forma extremamente eficaz, e atacado com uma rapidez incrível. O André quando vai à bola vai na certeza que vai conseguir ganhar a bola, e ganha sempre. Continua assim André! Não teve sorte, nas jogadas ofensivas, os remates não lhe saíram bem. Mas foi dos jogadores mais ofensivos do Charneca.
O André é uma espécie de Katsouranis... um jogador com grande qualidades defensivas que, sem sacrificar essa sua função, consegue ser o jogador com mais remates à baliza, mais recuperações de bola, mais vontade, mais força!
Depois, todos estiveram bem. todos, sem excepção.
O Rafael entrou a meio da segunda parte, jogou muito encostado à linha lá na frente, conseguiu segurar bem a bola mas... mais uma vez... nem sempre sabe quando deve soltar a bola. mete a cabeça no chão... e entra no seu solo embriagado... abstraindo-se do jogo á sua volta. É pena. podia ser um jogador muito parecido com o André Marques, mas ainda não tem maturidade suficiente para saber levantar a cabeça. Lá chegará!
O Fábio galo, apesar de só ter jogado meia parte, fez a diferença entre uma equipa que se aguentava bem... e uma equipa que presionava muito!
Quem visse aquela segunda parte, sem conhecer as cores dos clubes, sabendo apenas as classificações, diria claramente que o Charneca jogava de vermelho. É que os amarelos foram, sem qualquer dúvida, quem controlou o jogo, colocando sempre pressão sobre o adversário!
E quando uma equipa defende bem. Joga em bloco, em entre-ajuda, consegue construir jogadas de ataque persistentes... o golo acaba por aparecer. E, a dada altura, o Fábio galo recebe a bola dentro da área, faz uma finta para preparar o remate e é agarrado pelas costas. Penalty claro, que a senhora Árbitro não teve dúvidas em assinalar.
Desta vez a equipa técnica não se meteu em aventuras. Foi o próprio Fábio a marcar. Que não podia falhar. E todos nós sabíamos queo Fábio jamais falharia. Nem ele, nem o André Marques, nem o Nuno.
1 a 0.
Depois era só gerir os dez minutos do fim. Só que o Barreirense mostrou algum descontrolo. Viu-se que não estão habituados a perder. Um dos jogadores distribuía cacetada em cada confronto. Já levava um amarelo quando numa jogada perto da baliza do Charneca, o João sai-se e agarra a bola, e o rapaz faz o lindo serviço de se atirar com os dois pés para cima do guarda-redes. Todos os pais que estavanm a ver gritaram... o fiscal de linha tava ali a 5 metros, fingiu que não viu! nem sequer repreendeu o jogador por um acto tão feio! A equipa de arbitragem agiu mal, porque era uma questão de tempo. O miúdo tava de cabeça perdida... bastaram uns minutos para voltar a idstribuir fruta... agora pelas costas... aquela bola, ali mesmo em cima do público que desatou aos gritos, não dava margem de manobra ao árbitro. Teve que dar o segundo cartão ao miúdo, levou o vermelho, e saiu do campo aos gritos para o público e a chorar... a ameaçar porrada a quem o censurava...
Uma cena feia.
Muito feia.
Mas, esta é a minha opinião, a culpa nem é do miúdo. Foi dos árbitros. Se tivessem corrido com o miúdo do jogo na altura certa... escusava-se a ver aquele espectáculo triste.
Depois, nos últimos minutos o jogo tornou-se duro e feio. Muitos miúdos a aleijarem-se. A jogarem já sem cabeça. O Charneca ainda teve duas ou 3 jogadas de perigo, em que podia ter marcado.
A vitória pela margem mínima chegou perfeitamente para levantar a auto-estima dos miúdos, que estavam tão em baixo depois de duas derrotas tão absurdas!
NOTAS FINAIS:
- O Barreirense, que ganhou 11 jogos, empatou um e perdeu com o Charneca, tem miúdos de estatura baixa. Quase todos eles. O que permite dizer que é uma equipa que sabe jogar futebol. Porque nestes escalões, numa idade em que os miúdos dão um salto enorme, há equipas que jogam só em força, e muitas vezes ganham os jogos assim. Intimidam, aleijam, empurram o adversário e acabam por ganhar. O Barreirense não. É uma grande equipa. Sempre a meter a bola no chão. Jogar na relva do Barreiro, a mesma onde nasceram os grandes Chalana e bento, gloriosos do benfica, certamente que será muito mais difícil!
- Eu tenho uma teoria. Estas equipas B, em certos jogos, por razões diversas, relacionadas com a gestão das equipas A e B do escalão, acabam por mexer muito na equipa, usando às vezes jogadores da A, na equipa B. E isso faz diferença no desempenho das equipas. Não sei se é o acontece com esta do barreirense... mas acho estranho as variações de desempenho desta equipa.
- A equipa técnica, que tem feito várias experiências, parece ter acertado numa equipa eficaz. Curiosamente, a equipa que sempre defendi: O Bryan faz parte desta equipa, o André Marques tem de jogar à esquerda, ou ao meio, o Hugo Fonseca tem de estar do meio-campo para a frente! Não é o que eu sempre disse?
CHAMADA DE ATENÇÃO:
Na fase final do jogo, o barreirense perdeu a cabeça. Muito graças à pressão colocada em cima da defesa deles pelo Charneca. Foi muito bem feito. Mas já se notavam alguns desleixos nas marcações defensivas... o Nuno já ia lá para a avançada a tentar a sua sorte... às vezes, demasiada ambição faz-nos perder tudo... num contra-ataque bem conduzido o Barreirense podia fazer o empate num jogo que estava controladíssimo. para quê perder a cabeça, quando se está a ganhar o jogo ao líder do grupo que era até ao momento invencível? Eu ´também já estava a perder a cabeça com tanta desatenção naqueles últimos minutos...
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